O caminho acontece, independente do meu querer. A vontade nasce dele e não o contrário. É no que eu acredito. Nascemos prontos.

Passamos a nossa vida achando que temos o controle sobre tudo. Sobrecarregamos nossas células com as nossas expectativas terrenas. Nos perdemos enquanto buscamos ter aquilo que o outro possui ou ser o que o outro é. O fato é que já nascemos, como indivíduos, completos.

Nos últimos anos tenho sentido isso com muita intensidade. Tenho me percebido pronta, completa, mas ainda bruta. Sinto como se cada um de nós fosse como uma mina viva. Vejo que a riqueza está em nós, nas nossas células mais primitivas, petrificada, protegida. Nascemos cada um com uma identidade, com uma missão única e especial.

Acredito que todos temos um propósito como seres vivos e este nos é sutilmente revelado dia após dia durante a nossa jornada, durante o nosso caminho. O caminho acontece naturalmente, e, a cada escolha, durante cada experiência, ganhamos preciosas ferramentas: os saberes. Elas nos são dadas no momento certo, quando já estamos aptos a usar cada uma delas, sendo nossa a escolha de como usá-las. Dependendo de como as utilizamos nosso caminho vai se abrindo ou fechando, prolonga-se ou é encurtado, nos engrandece ou nos enfraquece. Somos somente nós os responsáveis por talhar a nossa essência, por explorar com responsabilidade e amor a nossa própria “caverna existencial”. O outro, também ele um indivíduo único com um propósito especial, nos auxilia na nossa construção ou desconstrução. Ele também afeta e poder ser afetado durante o processo, mas não pode ser jamais responsabilizado pelo que nos ocorre e vice-versa. Poder escolher como percorrer o seu próprio caminho é a maior liberdade que nos é concedida. O caminho é seu. Sempre será.

O caminho não é lógico, não é linear, não é aritmético. Não existe uma indicação clara apontando o caminho “certo”, mas muitos sinais lhe serão dados. Para identificá-los não há manual, há apenas uma chave: a sua intuição, o seu instinto. A racionalidade não se aplica à essência. É só através da intuição que nós saberemos a melhor forma de caminhar na direção “certa”. Só flui quem intui. Só intui quem está conectado consigo mesmo, quem confia na natureza, na sua própria natureza. A intuição é o nosso instinto, é o que nos guia quando buscamos o que somos fora do contexto da materialidade. Não importa o nome que você dê à este poder de sentir, de acreditar, de ter fé, ele é o seu guia. Intuir é ter fé, é confiar no Universo, nos Deuses, no seu Deus.

O poder da intuição nasce com você, mas é tanta poluição de toda forma à nossa volta, tantas coisas que nos desviam da nossa natureza, que poucos conseguem sentir o seu corpo dizendo pra você o que você pode ou deve fazer. É preciso acreditar primeiro, acreditar que tem sim algo soprando no seu ouvido ou comprimindo a sua barriga. E então você começa a perceber que não existe acaso, nem tampouco coincidências. Tudo existe porque precisa existir. Tudo acontece porque tem que acontecer. Seja bom ou ruim. Você consegue claramente aceitar que uma porta se fechou para que outras fossem abertas, porque você começa a confiar na sua intuição.

Quando a sua intuição transforma-se no seu guia, o caminho se expande, se ilumina, ganha significado, porque você escolhe porque sente. Mas, ao contrário do que se espera, essa expansão não faz com que o seu caminho seja mais ameno. Não. Ele será agora mais desafiador. Você é convidado – agora de forma consciente – a finalmente domar seus dragões, aceitar suas imperfeições, resistir à tudo aquilo que te encanta mas que não te faz bem, a silenciar quando gostaria de gritar, a perdoar aquilo que te impede de ser leve e, principalmente, a perdoar a si mesmo diariamente. Sendo este, talvez, o maior de todos os desafios do ser humano: o auto perdão.

Para se perdoar é preciso se (re)conhecer na sua totalidade. É preciso assumir sua responsabilidade por tantas vezes em que feriu alguém, por tantas vezes em que foi injusto, fútil, por tantas vezes em que foi omisso quando poderia ter auxiliado alguém. É preciso se olhar sem o filtro da vaidade e do egocentrismo, é preciso se olhar com verdade. É preciso identificar todos os legados ruins que lhe foram transmitidos pelos seus antecessores, os perdoar e extirpá-los do seu caminho. Você não precisa ser o que os outros querem que você seja. Você não precisa ser o espelho de ninguém. Você precisa – e pode – ser simplesmente e unicamente você.

Só assim, quando você se enxerga como realmente é que consegue olhar para todos à sua volta com empatia. Porque você sabe que todos estão buscando seus próprios caminhos, você sabe que todos estão também lutando para se encontrar e se aceitar, cada um no seu estágio evolutivo e dentro de suas crenças e histórias de vida. Com isso você fica mais atento aos julgamentos. Sim, porque é humano julgar. É um vício social. Quando não estamos nesse estágio de tomada plena da consciência não conseguimos aceitar – de verdade – que o outro não esteja caminhando pro mesmo lado que nós estamos. É difícil aceitar que o outro não veja as coisas como nós enxergamos. É desafiador perceber que os seus valores e objetivos de vida são tão desalinhados em relação aos nossos. Incomoda. Não por acharmos que somos melhores, mas porque muitas vezes enxergamos no outro algo que nos “falta” ou até mesmo algo que “infelizmente” está dentro de nós também. Porque fomos educados para ver os “vazios”, para lamentar pelo o que não temos, para nos envergonhar dos nossos “defeitos”, para sofrer pelo o que não somos. Lamentavelmente são poucas as pessoas que foram educadas para ver o melhor do mundo e delas mesmas. Nascemos em um mundo onde somos colocados em uma “forma” que “deforma” o que já nasce pronto.

Então quando você finalmente consegue aceitar que tudo que recebe do Universo é um presente, você abraça a sua existência. Sua intuição, que agora pulsa com força dentro de você, invade a sua consciência e te guia levemente. Você continuará sofrendo, julgando, sendo ingrato e fazendo escolhas equivocadas, mas rapidamente irá perceber que está se desviando do seu caminho e naturalmente irá voltar pra ele. Os ciclos de sofrimento serão cada vez mais curtos, menos dolorosos. E a cada dia você estará mais próximo de ser o que veio para ser: humano.

Estamos todos na mesma busca, seja então mais gentil com você e com todos os elementos deste Universo. Olhe agora em volta e perceba que cada ser humano, cada ser vivo, cada elemento da natureza tem – como você e eu – um papel fundamental para que todos possamos continuar cada um percorrendo o seu próprio caminho. Não há hierarquia entre nós, há sim uma clara e rica interdependência. Estamos todos em um círculo de amor e num círculo não existem degraus. O seu caminho não tem como acontecer sem que você faça parte do caminho de todos à sua volta. Por isso, os agradeça, os aceite, os perdoe, os ame.

E o caminho segue. Acontece.

Por isso sou grata também à você que me lê.

Seja luz e amor sempre!

 

 

 

 

Maira Engelmann
maira.engelmann@gmail.com
Muita história pra contar e pra mostrar.

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