O “Retratos & Relatos” foi criado em dezembro de 2006, na Alemanha, em pleno (e gélido) inverno. Foi minha primeira vez por lá e, naquela época, ainda como visitante. Como sou MUITO comunicativa (leia-se: tagarela), estava com medo do que fazer com minhas 20.000 palavras diárias morando em um país onde não conhecia praticamente ninguém e onde as pessoas falavam uma língua com a qual eu não tinha a menor afinidade. Foi então que uma amiga jornalista, na época blogueira de mão cheia, me falou sobre esse tal de “blog” e meus olhinhos, claro, brilharam ao saber que eu poderia sim, de uma certa forma, “falar”, mesmo não estando mais no Brasil, próxima às minhas orelhas, ops, pessoas queridas.

Foi assim que surgiu a idéia e a idéia, no começo, era apenas “falar” com pessoas conhecidas, com familiares, amigos. No começo foi assim mesmo e ajudou muito a segurar as pontas do lado de lá. Mas depois a coisa tomou uma dimensão que eu não esperava. Comecei a receber comentários e emails de pessoas desconhecidas me dando dicas, apoio, pedindo ajuda, me elogiando, desabafando. Confesso que quando isso começou fiquei com o ego lá em cima, mas depois fiquei insegura. Ou vocês acham que é fácil se expor, que é fácil corresponder à expectativas virtuais? Nada. É um caminho muito delicado, pois mesmo que virtualmente você está lidando com pessoas e pessoas são seres que muitas vezes não sabem lidar com frustrações, com opiniões opostas, com posturas sinceras ou até mesmo com a falta de respostas. Enfim, o público do R&R mudou, cresceu, se diversificou e eu tive que “crescer” com ele.

Antes o foco era minha vida na Alemanha, a Alemanha, a cultura alemã, o idioma alemão e tudo em torno desse país e da nossa “história” por lá. Depois eu e o Rô (meu marido, melhor amigo e editor chefe do R&R – sem ele, talvez, não existiriam vírgulas no blog – rs) retomamos devagarzinho a nossa grande paixão: viajar. E ai rolou a equação perfeita: viagens + blog + paixão por pesquisa + tempo livre e um público que não parava de crescer. Foi ai que o que era Alemanha, virou mundo. Foi ai que o R&R se tornou um guia de viagens no estilo mochilão e também um guia de “sobrevivência” e persistência de uma brasileira morando na Alemanha.

Viagem. Minha primeira viagem internacional aconteceu quando eu já tinha 24 anos. Fui com o  Rô, ainda namorados, para a Argentina e Chile. Uma viagem sensacional que um dia vou deixar registrada por aqui também. Depois disso não paramos mais (e nem queremos) e hoje são quase 30 países explorados em quase todos continentes, mas principalmente na europa. De todas as viagens que fizemos, apenas uma, para o Egito foi “pacote”. Todas as outras foram cuidadosamente planejadas por nós mesmos. Nosso estilo de viagem é esse, pois gostamos da aventura, do desconhecido, dos imprevistos (felizes, é claro) e, principalmente, do contato com os locais e suas histórias deliciosas e únicas. Afinal, o melhor de qualquer viagem são as pessoas que conhecemos nos destinos que exploramos. E é por isso que são elas, as pessoas, que estão em foco em todos os posts do R&R.

Alemanha. Cheguei na Alemanha um ano depois do Rô, no dia 27 de março de 2007. Quando o Rô me convidou, não tive dúvidas. Não, eu nunca sonhei em morar na Alemanha, nunca sonhei em falar alemão, nunca sonhei em vivenciar a cultura alemã que já tinha sido parte da minha infância. Eu aceitei porque sempre quis ter a oportunidade de conhecer o mundo, de ampliar meus horizontes, de testar minha auto-determinação e minha capacidade de desapego. Não foi fácil, mas atingi meus objetivos e todo esse caminho, as dificuldades, as mudanças, as conquistas e os frutos de tudo isso, você pode ler aqui, no R&R.

No dia 28 de maio de 2011 voltamos pro Brasil, repletos de histórias, desejos e com uma aquisição, ou melhor, produção, que mudou nossas vidas PRA SEMPRE: o Rafa, nosso Solzinho. Ele nasceu na Alemanha e voltamos quando ele estava com 3 meses. Agora ele já está quase emancipado (rs) com 1 ano e 3 meses, andando, falando (leia-se: gemendo), aprontando e encantando. Enfim, nasce um filho e o outro (o blog) precisa saber dividir a atenção. Depois que o Rafa nasceu eu praticamente desconheço o que é ter “tempo livre” e o R&R sabe disso, mas, por outro lado, minha inspiração está muito maior e as idéias surgem todos os dias.

E, no meio de tantas idéias, eis que surge o “R&R Fase 3”. O que vem por ai? Carinha nova, conteúdo ampliado e mais emoções por esse mundão de Deus. 😀

 

A AUTORA – Versão 4.0

Vou descrever aqui quem sou eu hoje, mas depois tem outras duas versões que escrevi nas outras fases do blog e da minha vida. É bem divertido me ler e perceber que continuo fora da caixinha. 😛

 

A AUTORA – Versão 3.4

Bem no final desta página você vai encontrar como eu me definia há 6 anos atrás. Quando li, antes de iniciar essa “nova versão de mim mesma”, pensei em apagar, mas não dá. Não é justo apagar do R&R quem eu era quando comecei, até porque não mudei, mas melhorei. O mínimo, né!? 😀

Eu sou a “Frau” Engelmann (Senhora). Maira Engelmann. Brasileira, paulistana, descendente de alemães, filha de brasileiros, canhota, leonina, corinthiana, casada com um mineiro gatim, nascida em 01/08/1978, sou mãe do menino mais gostoso do universo, intensa, independente, apaixonada, otimista, bagunceira, mochileira, sonhadora, humana.

BRASIL ANTES DA ALEMANHA: Quando era criança queria ser… huuummm… deixa eu lembrar….. pera aí…. ah! criança! Depois entrei na pré-adolescência e lembro que queria ser a salvação do país. Sério! Cheguei até a escrever cartas para os presidentes, mas, não me pergunte o por quê, nunca enviei. Cresci e decidi que queria trabalhar com publicidade, depois me disseram que se eu quisesse ter emprego garantido tinha que estudar “Processamento de Dados”, mas no fim acabei copiando minhas melhores amigas e decidi fazer “Técnico em Química”. Não, não gostava de química, mas precisei de menos de um ano pra me apaixonar por Química. Recebi meu primeiro “super” salário de Química (R$600) em 1997 e continei nessa mesma empresa até 2006 (mas com um salário melhor, “of course”). Nesse meio tempo tive várias crises dentro do tema “o que o mundo quer de mim”. Fora que cada um dizia que eu tinha que “ser” isso ou aquilo. Minha avó paterna sempre disse que eu devia ter feito jornalismo. Meu pai queria que eu fosse cervejeira. Meus amigos me diziam que eu tinha que ser vendedora, política ou artista. Com tantos palpites, deu curto e decidi que ia prestar vestibular para Biologia (uma fase que fiquei apaixonada por genética e pelas mitocôndrias…rs), depois descobri que a Biomedicina era “o bicho” e por pouco não vou até o fim da loucura. Mas, enfim, mais uma história pra fazer com que as pessoas rissem de mim como se eu não fosse alguém que devessem levar a sério. É, é difícil não ser linear nesse mundo. Depois de esgotar todas opções de maluquices, decidi seguir o trajeto que a sociedade esperava, o trajeto linear e fui estudar Engenharia Química. Pelo menos assim, ganhava um voto de confiança da sociedade e da chefe do laboratório onde eu trabalhava (rs). Entrei na faculdade e todos (menos eu) ficaram felizes. Fiz os 2 primeiros anos com maestria. No 3 ano pirei o cabeção. Decidi que o que eu queria mesmo era estudar psicologia. Tranquei a matrícula e durante o ano em que fiquei parada fiz terapia. Resultado: voltei para a Engenharia Química. No último ano mudei de emprego após quase 9 anos trabalhando no mesmo lugar (que eu amo até hoje!). No final desse mesmo ano me formei, me casei no civil e mudei de emprego. Em março de 2007 pedi as contas, casei no religioso, arrumei as malas e fui com o Rô para a Alemanha.

ALEMANHA: Chegamos em um sábado e na segunda já comecei meu curso intensivo de alemão no IFA. Conclui o curso após 1 ano. Antes mesmo de concluir o curso eu ficava pensando no que iria fazer depois dele. A única certeza que eu tinha quando fui para a Alemanha é que queria usar aquela oportunidade para “me encontrar” e já tinha pra mim que seria na área de comunicação. Pesquisei muito e fui chegando a conclusão de que não conseguiria, pois teria que ter um alemão sensacional e não era o caso. Continuei estudando, pensando em possibilidades e pesquisando. Surtei e no meio do surto encontrei um curso de mestrado na área de Tratamento de Resíduos na Universidade de Stuttgart. “Aquilo” virou minha meta! Bem, na verdade foi minha muleta pra continuar me arrastando até acordar. Me candidatei à uma vaga nesse mestrado mesmo não preenchendo praticamente nenhum pré-requisito. Fui para Malta ficar um mês dando um “up” no meu inglês e depois fomos para o Brasil. O Rô voltou antes para a Alemanha e quando chegou estava a carta da Universidade na caixa de correio. Quando me ligou, me contou com todo cuidado do mundo o óbvio: eu não tinha sido aceita. Eu sabia que não era o caminho, mas precisava testar. Voltei pra casa (Alemanha) e depois de pouco tempo fui chamada para uma entrevista de um possível trabalho na minha área (química). Meu alemão já era suficiente, mas quando voltei de Malta ele ficou super bloqueado e sempre que eu ia falar alemão, saia inglês. Então minha entrevista foi, pra não dizer triste, uma comédia. Toda hora eu tinha que pedir desculpas por estar falando inglês no meio do alemão. Resumindo: também não rolou e eu, de novo, chorei até. Nesse meio tempo a única coisa boa foi que fiz o teste para comprovar proficiência na língua alemã (TestDaf) e passei. Enquanto nada acontecia, fui seguindo fazendo “Scrapbook” e depois comecei a fazer bijouterias pra vender. Precisava de QUALQUER coisa que fizesse o tempo passar mais rápido, ou seja, precisava sempre de uma meta para ocupar a mente, o corpo e a alma. Sei que foram muitas idéias, muitas possibilidades, muitas tentativas, muitas frustrações, MUITOS nãos até as coisas começarem a acontecer pra valer. Um dia uma amiga me manda o link do MBA que cursei, dizendo que tinha começado a estudar lá e que era minha cara. Quando abri o link meus olhos começaram a sorrir e eu lembro de levantar pulando, sorrindo e dizendo: “É isso! É isso! É isso!”. Fiquei completamente descontrolada e não perdi tempo. Estava TUDO alinhado. E daí pra frente vocês conseguem ler todos os detalhes aqui, no “R&R”. Fiz o MBA, conclui com êxito e pompa, minha tese de mestrado foi aprovada, fiz um estágio de 6 meses em uma empresa alemã, virei mãe e voltei para o Brasil.

BRASIL DEPOIS DA ALEMANHA: faz um ano que voltamos da Alemanha e só agora as coisas começam a “começar pra valer” pro meu lado. Há 3 meses estou dando aulas de alemão regularmente, há 6 meses fazendo pré-análises de entrevistas para institutos de pesquisa esporadicamente, cuidando do R&R sempre que tenho um tempinho e alguma inspiração, atuando como esposa e mãe diariamente e intensamente e agora após um convite inesperado e feliz me tornei consultora de viagens de uma operadora em São Paulo trabalhando “home office”. Agora, após quase um ano trabalhando na área de turismo, percebo que amar viajar e elaborar roteiros de viagem é apenas um dos pré-requisitos para atuar na área e eu só tenho este. Sim, após meses de muito estress devido à minha falta de prazer com a parte comercial do trabalho, sai da agência e estou voltando a dar aulas de alemão, com as quais sempre tive muito prazer. Vamos ver o que vem pela frente. O importante é não ficar parada e não deixar de acreditar em nós mesmos e em nossos sonhos. Então: avante!

Essa sou eu e minha vida, a vida que faz esse blog pra vocês. 😀

*** VERSÃO INICIAL EM 2006 “SOBRE MIM” ***

Sou uma Engenheira Química, atualmente estudante de MBA em Marketing Internacional na Alemanha (Reutlingen), que começa aqui a realizar um de seus sonhos paralelos: compartilhar na rede experiências e pensamentos. Não construi este espaço para ser aprovada e nem tampouco aplaudida, mas sim para ser uma “referência”, independente de ser considerada uma “certeza”.  Aqueles que me conhecem sabem o que digo e sabem que o que penso hoje não é eterno, que o que faço hoje não tenho a capacidade de repetir amanhã. Sou uma incansável e perturbada metamorfose.

Sou a favor da mutação, da transformação e do crescimento. Sou a favor da aceitação, da desmistificação e do profundo desapego do que não pode ser nosso. De nosso apenas os pensamentos …. só!  São eles nossos tijolos onde permeiam valores e sentimentos capazes de enrijecê-los nos dando suporte ou fragilizá-los até seu completo rompimento. Quando falo em mutação, descrevo em mim a necessidade do conhecer. Uma necessidade que hoje vem ser suprida através da possibilidade de viajar além do continente e adentrar a uma cultura avessa àquela onde formaram-se meus valores e percepções. Uma possibilidade de conhecer meu próprio limite de comunicação e compreensão das diferenças culturais. E uma certeza de encontrar fora do meu país, a minha identidade, pois hoje, após quase dois anos fora de “casa”, é que sinto de verdade o quanto sou brasileira. Sai, pois olhando de fora tudo fica maior. Sai, pois aqui dentro eu não me cabia mais. Sai e, agora, só penso em voltar.

 

Para quem quiser trocar idéias e experiências ou pedir informações, eis o caminho através desse site em “comentários” ou através de email maira.engelmann@gmail.com.

Você me encontra também em: http://de.linkedin.com/in/mairaengelmann

Maira Engelmann
maira.engelmann@gmail.com
Muita história pra contar e pra mostrar.

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