Descobri recentemente que eu não decidi ser mãe e nem nasci para ser. Eu aceitei um “plano” antes até mesmo de saber quem eu seria, onde moraria ou quem seria a família que iria me receber. Aceitei, agradeço e amo as minhas escolhas.
Cheguei na sala e vi esses dois serezinhos assim, unidos e amados. Na hora registrei o momento e, na sequência, pensei que era bem interessante eles não saberem que fazem parte desse “plano” também. Saber que foram escolhidos pra passar uma temporada divertida e intensa com a mamãe ( e o papai ) aqui. Vieram pra rir com a gente, mas também pra sofrer. Vieram porque precisamos uns dos outros pra passar pra próxima fase e se não jogarmos direitinho, game over boys.
Sim, é estranho pensar assim, mas a vida é mesmo um tabuleiro. No entanto, mais emocionante, já que as regras mudam o tempo todo e nem sempre quem pensa que está ganhando está. “Venha à mim os fracos, os sofredores e os enfermos”, disse Jesus. Então se você não consegue se achar em nenhum desses três grupos, tem alguma coisa que tu tá fazendo errado, viu!? 😉 Outra coisa complexa nesse jogo é que neste instante eu sou a dama toda serelepe e protegida e, de repente, viro o peão tendo que assumir a frente na batalha. Pai, mãe, filhos são apenas papéis que assumimos, personagens de uma encenação. Não são, necessariamente, papéis que cumprimos o tempo todo. Eu costumo me imaginar com bastões: uma hora estou com o bastão da mãe, outra hora o bastão da mulher, outra do pai, outra da profissional, outra hora agarro no bastão da filha e muitas vezes me vejo arremessando os bastões na cabeça dos outros personagens. 😛 Abandono os bastões, pego um livro e me tranco na caverna até que chega algum bastão na minha cabeça de novo e pá: entro no circuito de novo.
Pensar assim, que nem sempre eu sou a mãe e, logo, nem sempre tenho que cumprir os papéis surreais que a sociedade conservadora me pede pra cumprir, tem me libertado. Prefiro assumir que eu sou a Maira, Maíra, Eu. E eu posso ser o que eu quiser ser.
E sendo eu, Rafa e Gabú vão conseguindo ser eles. Quase sempre eu busco protegê-los, mas muitas vezes eles cuidam de mim. O plano é sempre fazê-los felizes, mas há instantes em que os faço sofrer e vice-versa. O Rô ( o pai ) muitas vezes é mais mãe do que eu, mas frequentemente se torna também meu filho ou meu pai.
A cada instante assumimos um papel e precisamos ter consciência disso para não nos limitarmos ao que o mundo nos pede, realizando aquilo que a nossa alma pede. E ela nos pede para sermos livres, para aceitarmos que quase sempre o “bom” não é “correto”, mas que o “bom” pode ser sempre transformado no novo “correto”.
Quero o “bom” para a minha família, mesmo que muitos julguem que não é correto. Também quero o correto, quando o bom for duvidoso. Quero liberdade para trocarmos os papéis com leveza e amor, reduzindo assim o peso que é ser protagonista de uma peça sem enredo.
Não pedi pra ser mãe, pedi pra ser melhor com eles e ajudá-los a serem melhores comigo e não importa qual é o personagem da vez. Todos somos protagonistas, somos a direção, mas também somos platéia.
Somos nós quatro, cada um respeitando o outro quando consegue e sendo perdoado quando não.
Pois é, um instante, um registro e toda essa viagem. 😀
Amo essa trupe. <3

Bom dia Maira, acompanho o seu Blog desde 2015 e vi muita evolução e mudanças na sua jornada. E nessa jornada, a transformação pessoal faz parte da nossa vida.
Gosto muito de seus textos e viajo nas suas viagens com o seu marido Rô, principalmente as feitos no velho continente. Em especial, no leste europeu pelo qual sou apaixonado.
Admiro bastante esse caminho de vocês dois e desejo à sua família o destino tão desejado por todos nessa trilha desconhecida da vida: a felicidade.
Estou sentindo falta de mais umas aventuras no mundo com vocês dois, ou melhor, vocês quatro agora. Estou aguardando novas aventuras.
Tudo de bom para vocês,
Marcus Brasil.
Marcus.